Um novo sistema de logística pass a aoperar no Centro de Distribuição da Fras-le Mobility, localizado em Extrema (MG). Trata-se da tecnologia 4Mobility, uma verdadeira operação logística dedicada ao aftermarket na América Latina com uso integrado de robótica, dados e automação em larga escala.

O projeto nasce da necessidade de acompanhar a evolução do mercado, que registra aumento no número de plataformas, maior diversidade de peças e crescimento do fracionamento de pedidos. Dessa forma, a Frasle Mobility passa a operar um modelo capaz de absorver todo esse crescimento, ampliando a rede de distribuição de peças das marcas Fras-le, Fremax, Controil e Nakata.
A solução implementada altera a lógica operacional. No lugar do deslocamento constante de operadores entre corredores, entra o conceito goods-to-person, no qual as peças são levadas até as estações de trabalho por robôs autônomos. “A principal mudança é que o operador deixa de ir até a peça. Agora, a peça vem até ele, o que reduz deslocamentos e aumenta a produtividade”, explica Ivana Bertanha, diretora do Centro de Distribuição.
Na prática, os itens são organizados em caixas modulares, os chamados bins, armazenados em uma estrutura vertical de alta densidade. Robôs circulam sobre trilhos, localizam os produtos e os transportam até os operadores, com apoio do sistema picking by light, que orienta a separação por meio de sinais luminosos.

A operação é gerenciada por um software que monitora estoques em tempo real, prioriza pedidos e otimiza rotas. O impacto direto aparece no tempo de processamento: atividades que antes levavam de quatro a seis horas passam a ser realizadas em cerca de 30 minutos.
Com 25 robôs em operação e cerca de 35 mil bins instalados — com capacidade de expansão —, o sistema atinge até mil separações por hora. Segundo Ivana, a tecnologia é aplicada principalmente a itens de menor volume e peso, que representam a maior parte da demanda. “A Nakata trabalha com cerca de 6.500 itens. Desse total, aproximadamente 75% do volume de separação passa por essa tecnologia, especialmente peças mais leves e com maior necessidade de fracionamento”, afirma.

“Hoje operamos cerca de 12 linhas da marca dentro desse sistema, como bieletas, juntas homocinéticas e itens de metal-borracha, peças mais leves. Já peças maiores e mais pesadas continuam no modelo tradicional de porta-paletes. No final, unificamos tudo na expedição”, completa Ivana.
São 25 robôs operando com cerca de 35 mil bins, que são as caixas onde os produtos ficam armazenados. Cada bin suporta até 30 quilos. O sistema é totalmente eletrônico: o pedido é gerado e os robôs trazem as caixas até o operador para separação.
A operação segue um modelo híbrido, combinando automação e processos tradicionais para itens de maior porte. A estrutura modular do 4Mobility também permite expansão conforme a demanda, consolidando o centro de Extrema como uma base preparada para o crescimento do aftermarket automotivo nos próximos anos.
ENTREVISTA | Ivana Bertanha Ferreira, COO, Diretora de Operações da Nakata
A operação logística no aftermarket automotivo passa por uma transformação impulsionada pela diversidade de veículos e pela necessidade de ganho de produtividade. No Centro de Distribuição de Extrema (MG), a Frasle Mobility implementou o conceito For Mobility, voltado à automação e eficiência na separação de peças. Em conversa com a diretora Ivana Bertanha, a Oficina News detalha como funciona o sistema e os impactos na operação.
Revista Oficina News: Como surgiu a necessidade de implantar essa nova tecnologia no centro de distribuição?
Ivana: Dentro do nosso planejamento estratégico até 2030, identificamos um crescimento que o modelo tradicional não comportaria. Precisávamos buscar alternativas mais eficientes e escaláveis. Foi aí que estudamos algumas soluções e encontramos o conceito For Mobility, que é pioneiro no mercado de reposição automotiva.
RON: O que muda na prática com esse novo conceito?
Ivana: A principal mudança é que, em vez de o operador ir até a peça, a peça vem até o operador. Isso reduz deslocamentos e aumenta a produtividade. É uma solução ideal para itens de menor volume, mais leves e com maior necessidade de fracionamento.
RON: Esse modelo atende todo o portfólio da empresa?
Ivana: Não. Ele é indicado para peças menores e mais leves. Hoje operamos cerca de 12 linhas dentro desse sistema, como bieletas, juntas homocinéticas e itens de metal-borracha. Já peças maiores e mais pesadas continuam no modelo tradicional de porta-paletes. No final, unificamos tudo na expedição.
RON: Quantos itens e linhas vocês operam atualmente?
Ivana: A Nakata trabalha com cerca de 6.500 itens. Desse total, aproximadamente 75% do volume de separação passa por essa tecnologia, justamente por serem produtos compatíveis com o sistema.
RON: Como funciona a operação dos robôs?
Ivana: Hoje temos 25 robôs operando com cerca de 35 mil bins, que são as caixas onde os produtos ficam armazenados. Cada bin suporta até 30 quilos. O sistema é totalmente eletrônico: o pedido é gerado e os robôs trazem as caixas até o operador para separação.
RON: E como é feito o abastecimento dessas caixas?
Ivana: O abastecimento acontece no inbound. O operador posiciona os produtos nas caixas e, a partir daí, o sistema inteligente gerencia a movimentação, direcionando os itens conforme a demanda dos pedidos.
RON: Qual o ganho de produtividade com esse modelo?
Ivana: O ganho é significativo. Enquanto um operador no modelo tradicional faz cerca de 200 separações por dia, com essa tecnologia chegamos a mil pickings por hora. Além disso, reduzimos deslocamentos e aumentamos a eficiência operacional.
RON: Esse sistema é escalável?
Ivana: Sim, ele é totalmente modular. Hoje utilizamos uma parte da capacidade, mas podemos expandir conforme o crescimento da operação, o que garante flexibilidade para o futuro.
RON: Como essa tecnologia acompanha as mudanças do mercado automotivo?
Ivana: O mercado tem cada vez mais veículos, plataformas e versões diferentes, em volumes menores. Isso exige maior variedade de peças na reposição. O For Mobility nos permite atender essa complexidade com mais agilidade e precisão.
RON: Em resumo, qual o principal impacto dessa transformação?
Ivana: É uma mudança de paradigma na logística: mais eficiência, menos esforço operacional e maior capacidade de atender a diversidade do mercado automotivo atual.
