O avanço da eletrificação, da inteligência artificial e da conectividade está alterando a dinâmica da indústria automotiva mundial. No Brasil, porém, desafios ligados à tecnologia, formação profissional e ambiente de negócios podem limitar a competitividade do setor nos próximos anos. O alerta está no “Estudo IQA: Cenário da Qualidade Automotiva no Brasil 2026-2028”, divulgado pelo IQA – Instituto da Qualidade Automotiva.
O levantamento reúne contribuições de 36 entidades e lideranças do setor, representando cerca de 230 mil empresas distribuídas entre diferentes etapas da cadeia automotiva, incluindo produção, fornecedores e mercado de pós-vendas.
Estudo aponta mudanças na indústria automotiva
De acordo com o estudo, a indústria automotiva atravessa um processo de transformação impulsionado pelo avanço da eletrificação, inteligência artificial, digitalização e conectividade. Nesse cenário, os veículos deixam de ser apenas meios de transporte e passam a incorporar maior participação de software, eletrônica e análise de dados.
A mudança também amplia exigências relacionadas ao desenvolvimento de produtos, processos de validação e padrões de qualidade ao longo de toda a cadeia produtiva.
Ao mesmo tempo, a indústria brasileira passa a enfrentar maior concorrência global. A chegada de novas marcas ao mercado nacional, especialmente fabricantes chineses, elevou a pressão por inovação e competitividade.
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Custos e ambiente de negócios entram na conta
Segundo o levantamento, além do cenário internacional, fatores internos continuam impactando a evolução do setor no País.
Carga tributária, custos logísticos, insegurança regulatória e limitações de crédito aparecem entre os principais obstáculos identificados pelos participantes do estudo.
Os desafios afetam um setor que possui participação relevante na economia nacional. Dados apresentados pelo IQA indicam que a indústria automotiva responde por cerca de R$ 107 bilhões em arrecadação anual e sustenta aproximadamente 1,3 milhão de empregos diretos e indiretos.
“É urgente a necessidade de preparar a indústria automotiva brasileira para uma nova etapa, em que a competitividade dependerá cada vez mais de capacidade tecnológica, formação profissional e confiabilidade sistêmica”, afirma Cláudio Moysés.
Escassez de mão de obra preocupa setor
Entre os principais pontos levantados pelo estudo está a formação profissional.
Com a evolução tecnológica, a indústria passa a demandar profissionais com conhecimentos em software, eletrônica embarcada, inteligência artificial e novas tecnologias de propulsão.
No entanto, o estudo aponta dificuldades para atrair mão de obra qualificada, além de currículos considerados defasados e menor interesse dos jovens pelo setor.
“O estudo do IQA indica que o desafio está em aproximar a percepção sobre o setor da realidade atual da indústria, cada vez mais tecnológica, o que impacta diretamente a capacidade de atrair e formar novos profissionais”, destaca Alexandre Xavier.
Segundo o instituto, parte desse cenário está relacionada à percepção ainda existente sobre a indústria automotiva, muitas vezes associada a processos tradicionais, distantes da transformação tecnológica que vem moldando a mobilidade.
Descarbonização também faz parte do cenário
Além das mudanças tecnológicas e do capital humano, a agenda ambiental aparece entre os fatores analisados no estudo.
O levantamento aponta que a descarbonização deve continuar como um dos vetores centrais da transformação do setor. O documento também destaca que o Brasil possui características para uma abordagem multitecnológica, combinando eletrificação, biocombustíveis e soluções híbridas.
De acordo com o IQA, o avanço dessa estratégia depende de evolução regulatória e desenvolvimento técnico.
O “Estudo IQA: Cenário da Qualidade Automotiva no Brasil 2026-2028” foi desenvolvido para apoiar empresas, entidades e agentes da cadeia produtiva na definição de estratégias voltadas às transformações previstas para os próximos anos.


