Gestão de frotas: Peças remanufaturadas ganham espaço na manutenção de VUCs
Fotos: Magnific.com
O envelhecimento da frota brasileira de veículos comerciais tem ampliado um desafio conhecido pelos motoristas de veículos urbanos de carga (VUC): manter o veículo em boas condições sem comprometer o orçamento.
Com caminhões e utilitários permanecendo mais tempo em operação, cresce a importância da manutenção preventiva e da escolha de componentes de reposição que ofereçam segurança, qualidade e custo compatível com a realidade do transporte urbano.
Dados do Sindipeças mostram que a idade média da frota brasileira continua aumentando. Em 2024, os caminhões chegaram à média de 12 anos e 2 meses de uso, enquanto os comerciais leves alcançaram 8 anos e 9 meses.

O cenário é reflexo do aumento do preço dos veículos novos, impulsionado por tecnologias embarcadas, sistemas obrigatórios de segurança e exigências ambientais, levando empresas e motoristas autônomos a prolongarem a vida útil dos veículos.
Para quem atua nas entregas urbanas, isso significa uma necessidade ainda maior de acompanhar o plano de manutenção e substituir componentes desgastados no momento correto. Afinal, falhas em itens mecânicos podem resultar em paradas inesperadas, atrasos nas entregas, aumento dos custos operacionais e riscos à segurança no trânsito.
Segundo Guilherme Porazza Dias, Local Field Manager de Mobilidade da TÜV Rheinland do Brasil, esse cenário também fortalece o mercado de reposição automotiva. De acordo com estimativas da consultoria McKinsey & Company, o aftermarket brasileiro deverá movimentar cerca de US$ 25 bilhões até 2040, impulsionado pelo envelhecimento da frota e pela maior quantidade de componentes utilizados nos veículos atuais.

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Peças reman: mais acessíveis com segurança
Dentro desse mercado, as peças remanufaturadas vêm ganhando espaço por oferecerem uma alternativa economicamente viável sem abrir mão da qualidade. Ao contrário das peças recondicionadas, que normalmente recebem reparos apenas nos componentes defeituosos, as remanufaturadas passam por um processo industrial completo realizado pelo fabricante original ou por empresas autorizadas.
Durante esse processo, o componente é totalmente desmontado, inspecionado, limpo e reconstruído, com substituição das partes desgastadas por peças novas ou recuperadas dentro das especificações técnicas.
Essa diferença é importante para motoristas de VUC que dependem do veículo para gerar renda diariamente. Componentes de sistemas como motor, transmissão, direção e freios exigem confiabilidade, principalmente em operações urbanas caracterizadas por constantes acelerações, frenagens e tráfego intenso.
Segundo o especialista, a qualidade desse processo depende da certificação das empresas responsáveis pela remanufatura. As fábricas devem atender aos requisitos da norma internacional IATF 16949, voltada à gestão da qualidade na indústria automotiva, além da Certificação de Remanufaturados do Instituto da Qualidade Automotiva (IQA), que comprova que os componentes reconstruídos pelos fabricantes originais apresentam desempenho, qualidade e garantia equivalentes aos de uma peça nova.

Peça trocada, VUC rodando
Após a reconstrução, cada componente é submetido a testes para verificar funcionamento, durabilidade e conformidade técnica antes de retornar ao mercado. Atualmente, essas peças podem ser adquiridas em concessionárias e também em lojas oficiais das montadoras em plataformas de marketplace, ampliando a segurança na compra e reduzindo o risco da aquisição de componentes de origem desconhecida.
Além da confiabilidade, o aspecto financeiro pesa na decisão de compra. As peças remanufaturadas custam, em média, entre 20% e 30% menos que uma peça nova, tornando-se uma opção interessante para frotistas e motoristas autônomos que precisam controlar despesas sem comprometer a disponibilidade do veículo.
Outro benefício destacado pelo especialista está relacionado à sustentabilidade. Segundo dados do Sindipeças, o processo de remanufatura reduz em até 95% o consumo de energia e de matéria-prima quando comparado à fabricação de uma peça nova, contribuindo para a economia circular e para a redução dos impactos ambientais da cadeia automotiva.


