O Governo do Estado de São Paulo assinou, nesta semana, o contrato da Parceria Público-Privada (PPP) para a construção do Túnel Santos-Guarujá, obra aguardada há cerca de 100 anos na Baixada Santista. O acordo foi formalizado com o grupo português Mota-Engil, vencedor do leilão realizado em setembro de 2025 na B3, e assegura investimento total estimado em R$ 6,8 bilhões. O prazo é que a obra seja finalizada em 2030.
O projeto é considerado um dos maiores empreendimentos de infraestrutura em andamento no país e prevê a implantação do primeiro túnel imerso do Brasil. A estrutura será construída em módulos pré-fabricados fora do canal de navegação do Porto de Santos e posteriormente imersa no leito, formando a ligação subterrânea entre os municípios de Santos e Guarujá.
Durante a assinatura do contrato, o secretário estadual de Parcerias em Investimentos, Rafael Benini, detalhou o cronograma do empreendimento. “Assinamos o contrato com a concessionária Túnel Santos-Guarujá. O que era impossível e esperado há 100 anos, a gente vai tornar possível. Agora a gente começa a discutir o projeto funcional e o projeto executivo. No ano que vem, a gente começa a mobilização e o início das obras. Em 2028, a gente começa a fabricar os elementos, que são as 6 partes que vão fazer parte do túnel. Em 2029, a gente começa a submergir esses elementos formando o túnel, para que em 2030, a gente tenha o comissionamento do túnel e ele entregue para a população”, afirmou.
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O túnel terá extensão total de 870 metros sob o canal portuário e contará com três faixas de rolamento por sentido, além de passagem dedicada para pedestres e ciclistas e uma galeria de serviços. O contrato de concessão tem duração de 30 anos e inclui as etapas de construção, operação e manutenção da infraestrutura.

A expectativa do governo estadual é que a nova ligação reduza de forma significativa o tempo de deslocamento entre Santos e Guarujá. Atualmente, a ligação rodoviária entre as duas cidades tem cerca de 40 quilômetros de extensão, com tempo médio de viagem de aproximadamente uma hora. Já a travessia por balsa sofre interferências frequentes devido a condições climáticas e à movimentação de navios no porto. Com o túnel, o tempo estimado de travessia deve cair para até cinco minutos.
Além do impacto na mobilidade urbana, o projeto também é visto como um vetor de desenvolvimento logístico para a Baixada Santista, região estratégica para o escoamento de cargas no Brasil. A obra deve gerar cerca de 9 mil empregos diretos e indiretos ao longo de sua execução, envolvendo atividades de engenharia, construção civil, logística e serviços associados.
Do ponto de vista regulatório e ambiental, o projeto já conta com licença ambiental prévia emitida pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). A autorização atesta a viabilidade ambiental da obra e permite o avanço para as próximas etapas do licenciamento. A análise considerou impactos sobre manguezais, fauna, flora, níveis de ruído e processos de desapropriação, estabelecendo condicionantes que deverão ser cumpridas durante a implantação do túnel.
O leilão que definiu a concessionária ocorreu em setembro de 2025, quando a Mota-Engil apresentou desconto de 0,5% sobre a contraprestação pública máxima anual, fixada em R$ 438,3 milhões. O processo e o andamento do projeto podem ser acompanhados por meio do site oficial do empreendimento, que reúne informações técnicas, cronograma e documentos públicos.
Além da estrutura principal, o contrato prevê intervenções viárias complementares nos dois municípios, com o objetivo de melhorar a fluidez do trânsito local e preparar o sistema viário para o novo fluxo de veículos. Essas obras devem ter início em 2027 e serão fiscalizadas pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), responsável pelo acompanhamento do contrato e pela regulação da concessão.
De acordo com o cronograma divulgado, 2026 será dedicado ao desenvolvimento dos projetos funcional e executivo, além de estudos complementares, processos de desapropriação e obtenção das licenças ambientais necessárias. Em 2027, está previsto o início das obras com a construção da doca seca, dragagens preliminares e implantação dos canteiros. Em 2028, ocorrerá a fabricação dos elementos pré-moldados do túnel, seguida da dragagem da trincheira no canal portuário. A fase de imersão e montagem está programada para 2029, com conclusão e comissionamento previstos para 2030.
Fonte: Agência SP



