Falhas na instalação de hélices e embreagens viscosas seguem entre as principais causas de problemas no sistema de arrefecimento de veículos de passeio e, sobretudo, de veículos comerciais utilizados em operações urbanas e rodoviárias. Em frotas de VUCs, caminhões leves e utilitários, qualquer deficiência nesse sistema pode resultar em superaquecimento, aumento do consumo de combustível, desgaste acelerado de componentes e paradas não programadas.
De acordo com a Modefer, fabricante nacional de hélices e embreagens viscosas, a maioria das falhas não está relacionada à qualidade das peças, mas sim a erros técnicos durante a escolha, instalação e validação do conjunto. Pequenos descuidos na montagem podem comprometer todo o equilíbrio térmico do motor e gerar danos de alto custo.
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A seguir, a empresa lista quatro erros recorrentes observados no dia a dia de oficinas e centros de manutenção, com impactos diretos na confiabilidade do sistema de arrefecimento.
1. Utilizar peças fora das especificações do fabricante
Um dos erros mais frequentes é a instalação de hélices ou embreagens viscosas que não correspondem às especificações técnicas do veículo. Diferenças de diâmetro, número de pás, rotação ou capacidade de acoplamento alteram o fluxo de ar necessário para a refrigeração adequada do motor.
Em veículos urbanos de carga, que operam longos períodos em baixa velocidade, trânsito intenso e ciclos constantes de parada e partida, esse desajuste tende a se agravar. A refrigeração insuficiente gera sobrecarga térmica progressiva e acelera o desgaste de componentes críticos.
“O uso de componentes fora da aplicação correta interfere no equilíbrio do sistema e acelera o desgaste de peças vitais. Esse erro costuma gerar superaquecimento progressivo”, alerta Hermes Santos, CEO da Modefer.
2. Ignorar o alinhamento entre hélice e embreagem viscosa
O alinhamento inadequado entre a hélice e a embreagem viscosa compromete a rotação uniforme do conjunto. Esse desalinhamento provoca esforços irregulares que afetam diretamente mancais, rolamentos e outros componentes responsáveis por sustentar e permitir o movimento das partes giratórias.
Em muitos casos, o problema evolui de forma silenciosa. Vibrações constantes passam despercebidas até que ocorram falhas mais graves, com impacto direto no motor e no sistema de arrefecimento como um todo.
“Uma hélice desbalanceada ou mal alinhada compromete toda a dinâmica do sistema de arrefecimento, gerando vibrações constantes e esforços irregulares que se propagam por todo o conjunto mecânico. Se não for corrigido a tempo, esse tipo de falha afeta diretamente componentes como mancais e rolamentos, podendo até evoluir de forma silenciosa e causar danos mais severos ao motor, reduzindo significativamente a vida útil do sistema”, destaca Santos.
3. Instalar embreagens viscosas já comprometidas
Outro erro comum é reutilizar ou instalar embreagens viscosas que já apresentam vazamento de fluido. O fluido viscoso, geralmente à base de silicone, é responsável por controlar a transmissão de força e a velocidade de rotação do conjunto, garantindo o acionamento correto da hélice conforme a temperatura do motor.
A perda desse fluido compromete o funcionamento da embreagem, tornando o sistema incapaz de responder adequadamente às variações térmicas. Mesmo a instalação de uma hélice nova não corrige esse problema quando a embreagem está danificada.
“Quando há perda desse fluido, a embreagem deixa de cumprir sua função. O resultado pode ser superaquecimento ou funcionamento irregular do motor”, afirma o CEO da Modefer.
4. Deixar de testar o sistema após a instalação
A ausência de testes após a instalação é um dos fatores que mais contribuem para falhas evitáveis. Sem a verificação do funcionamento do conjunto, ruídos anormais, vibrações excessivas e falhas de acoplamento deixam de ser identificados ainda na oficina.
Em veículos utilizados profissionalmente, esse descuido pode resultar em paradas inesperadas, aumento dos custos de manutenção corretiva e até danos estruturais ao motor, que poderiam ser evitados com ajustes simples.
“O veículo sempre dá sinais antes de falhar, seja por meio de ruídos anormais, vibrações excessivas ou alterações no desempenho do sistema. Ignorar esses indícios após a instalação é assumir um risco desnecessário e potencialmente caro, já que pequenos ajustes ou correções preventivas podem evitar falhas mecânicas graves, paradas inesperadas e custos elevados de manutenção”, conclui Hermes Santos.



